Mudanças climáticas, fontes renováveis de energia e redução do efeito estufa estão em pauta na Conferência do Clima da ONU

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Para Erick Menezes de Azevedo, doutor em planejamento de sistemas energéticos, o grande desafio é avançar no sentido da descarbonização da geração de energia elétrica, buscando fontes limpas como a eólica e solar

Teve início na segunda-feira (3) e segue até sexta-feira (13), a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP-25. O evento acontece em Madri (Espanha) e reúne representantes de quase 200 países entre líderes políticos, ativistas e especialistas ligados ao clima.

A principal discussão da COP-25 gira em torno das mudanças climáticas, abordando acordos já firmados e ações futuras. No centro dos debates está o Acordo de Paris, aprovado por 195 países em 2015, com o objetivo principal de reduzir a emissão de gases de efeito estufa e impedir que a temperatura média mundial não ultrapasse 2ºC.

No discurso de abertura da COP-25, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, foi enfático quanto à necessidade urgente de medidas drásticas para barrar a crise climática. Segundo ele, existe um caminho alternativo ao da rendição, que coloca em risco a saúde e a segurança de todos no planeta.“Nós realmente queremos ser lembrados como a geração que enterrou a cabeça na areia? Que brincou enquanto o planeta queimava? A outra opção é o caminho da esperança, o caminho da solução, da sustentabilidade, o caminho em que mais combustíveis fósseis, permanecem onde devem estar, no solo, e um caminho em direção à neutralidade do carbono até 2050”, disse.

O avanço no que diz respeito às fontes alternativas de energia, como a eólica e solar, também está em pauta. Com baixo impacto ambiental, essas e outras fontes de energia renováveis são essenciais no caminho para a estabilização das emissões globais de gases de efeito estufa.

No tocante às fontes alternativas o principal desafio da COP-25 é avançar no sentido da descarbonização da geração de energia elétrica. China e os Estados Unidos são os principais vilões nesse sentido, destacando-se como os maiores produtores de energia elétrica oriunda de carvão. Porém, os países do Leste Europeu, Índia e Rússia possuem as usinas mais obsoletas e como consequência, mais poluentes. O grande ponto negativo para essa COP-25 é o esvaziamento político, com ausências relevantes como a de Donald Trump, presidente dos EUA. Por outro lado, o ponto positivo é a redução significativa dos custos das fontes alternativas de geração de energia nos últimos anos, notadamente a solar e a eólica”, explica Erick Menezes de Azevedo, doutor em planejamento de sistemas energéticos.

Mercado de Carbono

Também em foco nas discussões da COP-25 está o mercado de carbono. Nesse mercado, empresas que de alguma forma conseguem diminuir a emissão de gases de efeito estufa, obtêm créditos de carbono, que são certificados eletrônicos. Tais créditos podem ser vendidos no mercado financeiro, sendo adquiridos por empresas que possuem metas obrigatórias de redução de dióxido de carbono (CO2), mas que não foram atingidas, ou seja, tais empresas pagam pelo excesso de gases que geram, remunerando iniciativas que contribuem com a diminuição de CO2 emitido na atmosfera.

De acordo com o especialista, o desenvolvimento de um protocolo para a implementação de um mercado de crédito de carbono no Brasil é um ponto importante a ser debatido. “Hoje isso acontece de forma espontânea, em pequena escala, mas o que se discute nessa COP-25 e já se discutiu nas anteriores, é tornar isso mais formal, uma metodologia única pro mundo inteiro, com metas e compromissos. Por que isso seria bom pro Brasil? Porque se viabilizaria mais investimento em energia limpa, que já é feito, mas ia viabilizar mais em energia eólica, energia solar, pequenas centrais hidrelétricas como essas que tem Poços de Caldas programas de eficiência energética, tudo que já é feito no Brasil, isso ia ajudar a viabilizar mais” destaca Azevedo.

Sobre Erick Menezes de Azevedo

Erick Menezes de Azevedo é doutor em planejamento de sistemas energéticos pela Unicamp e possui MBA em gestão de negócios pela FGV. Trabalha com comércio de eletricidade e geração de energia.

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