É o fim

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Não tem mais o “The End” no fim dos filmes, e isso vem causando um debate acalorado em segmentos diversos da sociedade.

Quase 90% das produções mais recentes de Hollywood acabam de repente, sem mais nem menos. De uma cena como outra qualquer passa-se para os créditos, sem nenhum gran finale, um beijo, um adeus, um carro ou uma pessoa sumindo pela estrada. E, logicamente, com a clássica subida da trilha sonora sinalizando que aquela é a sequência derradeira. Tudo nessa vida tem começo, meio e fim, e isso inclui os filmes a que assistimos”, afirma um cinéfilo na fila de bilheteria do Cineclube Fellini.

Mas esse raciocínio encontra ferrenhos opositores, que colocam tal argumento como um insulto à inteligência.
“Se você chega à última unidade do seu Hall’s Mentho Liptus, não é preciso nenhum aviso impresso na embalagem ou naquele papelzinho que envolve a bala para saber que a guloseima acabou. O mesmo se aplica aos sacos de cimento, às solas de sapato, às velas de sete dias, aos perfumes Giorgio Armani e até aos carecas – já que é só olhar no espelho ou passar a mão na cabeça para ter a triste certeza de que o cabelo está acabando”.

Um outro partidário do anti-fim argumenta: “Quem sustenta esse tipo de bobagem e leva adiante uma discussão desse nível mostra que o que está no fim, na verdade, é o próprio QI. Se é que um dia o QI dessa pessoa teve algum começo. Só falta o sujeito inventar um adesivo “Fim” para grudar na testa dos defuntos ou no rolo de papelão do papel higiênico”.

Aos berros, uma mulher rebate: “É um direito de quem compra ingresso usufruir do seu “The End”, isso faz parte da tradição cinematográfica. O fato de entrarem os créditos sobre fundo negro não sinaliza necessariamente o fim da obra. Não há artigo na Constituição que determine obrigatoriedade alguma nesse sentido. Temos, inclusive, casos de filmes que continuam após os créditos, pegando de surpresa os que têm o hábito de cair fora do cinema tão logo a ficha técnica comece”.

A Associação dos exibidores de salas multiplex contra-argumenta, afirmando que “se é para legendar, então sugiro que coloquem a palavra “começo” antes da primeira cena do filme. Quem sabe assim as coisas fiquem suficientemente claras na cabeça desses retrógrados”.

Até as 23 horas de ontem a discussão prosseguia, sem perspectiva de acordo.

© Direitos Reservados

Marcelo Pirajá Sguassábia

Colunista
Redator publicitário
(19) 98184-5723

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