Armazenamento de energia ainda deve crescer no Brasil, aponta especialista

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Para Erick Menezes de Azevedo, sistema pode ser solução para intermitência de fontes renováveis.

Armazenamento de energia deve tornar-se uma tendência cada vez mais forte nos próximos anos. É o que dizem especialistas do setor energético, que apontam esse sistema como a solução mais viável para permitir o pleno funcionamento da geração de energia através de fontes renováveis, como a eólica e a solar, que ocorrem com intervalos.

Sistemas de armazenamento de energia são técnicas e métodos utilizados para armazenar energia gerada em momentos de pouca demanda, para que esta possa ser utilizada em momentos de pico. São fundamentais, por exemplo, em regiões remotas, como fazendas e comunidades distantes, que não tem acesso à rede elétrica. Nesses locais, são comuns os sistemas de placas solares, que geram o suficiente para suprir a necessidade local durante o dia, além do carregamento de baterias, que suprem as necessidades durante o período noturno.

O doutor em planejamento de sistemas energéticos, Erick Menezes de Azevedo, explica que desde a descoberta da eletricidade, pesquisadores vêm buscando tecnologias para tentar armazenar energia. Atualmente, sistemas de estoque de energia têm aumentado no mundo todo. No Brasil, aponta o especialista, a utilização desses recursos ainda é pequena, mas, segundo ele, a tendência é aumentar, como já acontece em outros países. “Eu cito o exemplo da ilha dinamarquesa de Lolland, onde a energia consumida é produzida através de geradores eólicos. Porém, nos momentos em que a geração de energia eólica está acima do consumo da ilha, a energia excedente é utilizada para fazer gás de hidrogênio. Esse gás é estocado e é utilizado para gerar energia elétrica quando as eólicas estão produzindo pouco,” comenta.

O especialista aponta ainda que armazenar energia contribui para resolver o grande desafio da intermitência das fontes renováveis. Com a utilização de sistemas de armazenamento, é possível que o operador do sistema elétrico use a energia elétrica de maneira mais flexível, ou seja, aquela que seria perdida, pode ser utilizada em outros momentos.

Como já dito, esta aplicação é crescente, que é complementar a intermitência das fontes renováveis. A energia eólica e a solar produzem níveis de energia elétrica muito variáveis ao longo de um dia. A energia elétrica produzida por um gerador eólico é proporcional ao cubo da velocidade do vento naquele instante. Intuitivamente, sabemos que a velocidade do vento varia consideravelmente ao longo do dia, dessa forma temos minutos com muita energia sendo gerada e outros com pouca. No caso da solar temos o mesmo desafio, a energia produzida além de não gerar à noite, varia com as nuvens que bloqueiam a luz solar. Dessa forma, existem usinas dessas fontes que utilizam baterias para tornar a saída da energia produzida mais constante,” diz.

Erick aponta ainda outro sistema de armazenamento de energia que está em alta, o Flywheels, que são rodas pesadas que rodam a vácuo. Essas rodas são aceleradas quando se deseja estocar energia e, quando necessário, geram energia através de um gerador elétrico acoplado em seu eixo. “Uma utilização imediata são em metrôs, que podem acionar o Flywheels durante a frenagem e utilizar a energia dele durante a aceleração, que é o momento em que mais se consome energia” destaca.

No caso específico do Brasil, Erick aponta que a aplicação de sistemas de armazenamento de energia deve crescer com o preço horário no mercado livre, que vigorará no país a partir do ano que vem. Neste ambiente, consumidores de médio e grande porte poderão escolher de quem comprar energia, analisando preço, período de utilização, quantidade, entre outros, adequando o consumo às suas necessidades. “Assim, será possível estocar energia durante a madrugada e consumir durante dia, quando a energia normalmente é mais cara”, finaliza.